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12.6.10

De Korugh a Dushanbe - Jipe

Depois da avaria na bicicleta, tivemos de abrandar o ritmo, o que originou um atraso de alguns dias, chegando a Korugh dia 19 de Maio. Apenas 400kms nos separavam da fronteira chinesa, estavamos tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Com o bilhete de volta já comprado de Dushanbe para Lisboa no seguinte dia 28, apenas tinhamos 9 dias para tudo. Tendo em consideração o estado das estradas, tinhamos de contar com pelo menos 1 dia para regressar da fronteira até korugh e outro dia de Korugh a Dushanbe. Apenas tinhamos 7dias para chegar à China, o que implicava pedalar todos os dias no minimo 60kms diários sem espaço para erro, e isto tudo com subidas até aos 4000m, com um desviador da Xunchi. Era demasiado arriscado, e decidimos ficar alguns dias a descansar e disfrutar da calmaria de Korugh, e depois regressar calmamente com tempo para imprevistos até Dushanbe.
Esta escolha revelou-se bastante sábia, pois nos dias seguintes choveu intensamente, e o caminho que haviamos feito para chegar aqui estava intransitável, depois de um desabamento de pedras ter destruído parcialmente um troço vital da estrada.
O jipe que nos levou de volta até Dushanbe, teve de ir por outro caminho, que também não havia certezas de estar completo, mas felizmente estava transitável.
Quando chegámos ao jipe, e após discussão de preço, carregamos as bicicletas no tejadilho, amarrado de forma duvidosa pelo motorista. Ao verificarmos um rasgo ao longo do pneu traseiro com mais de 4dedos de comprimento, questionamos ao motorista a durabilidade do mesmo em estradas tão más, onde prontamente nos disse:"Ok, no problem", fazendo nos ver que levavam dois pneus suplentes, ficamos mais descansados, mas não convencidos. Entramos todos no jipe, 3 para o banco de trás, 4 no nosso banco, e mais 3 no banco da frente... Ficamos incrédulos, eu e o Tiago nas pontas iamos completamente entalados entre o vidro e os outro dois passageiros encavalitados no mesmo banco. Quando questionei o dono do jipe que ia quase ao meu colo, ele fez um sorriso amarelo e disse que era só até Anjirak, como se nós soubessemos onde isso ficava. E assim pelas 9h da manhã iniciamos a viagem e passado alguns kms, um estrondoso BBUUMMM, rapidamente abrandou o jipe, levando à primeira substituição do pneu. Mais meia hora e rebenta o segundo pneu, o macaco avaria, o motorista dá-lhe mais um aperto num parafuso, e lá consegue substituir o pneu. Agora nem quero pensar, nestas estradas esburacadas e isoladas, se temos outro furo, ficamos aqui uma eternidade. E se pensam que o motorista guiava com algumas precauções, desenganem-se, cada vez acelerava mais e seguíamos entre os 60 e 70km/h entre curvas e contra-curvas com as bermas escarpadas. Passados mais uns kms ouve-se qualquer coisa a bater junto à roda direita dianteira. Após alguma análise, chegam à conclusão que o tubo do óleo do travão da frente, tinha rebentado, impossibilitando de este funcionar, solução? Desmonta-se o travão de disco, o importante é continuar, nunca ouviram dizer que parar é morrer?!?! Depois desta paragem, sem pneus suplentes, e sem o travão direito, acho que o jipe ainda ia mais depressa. Depois de largarmos os passageiros extra, lá conseguiram remendar os dois pneus suplentes na terra e lá prosseguimos viagem, agora nada nos podia parar, quero dizer quase nada... Pois chegados aos subúrbios de Dushanbe, ouve-se um soluçar de todo o jipe...o que será que aconteceu? O dono do jipe troca umas palavras em russo com o motorista, pegam num garrafão, e seguem sozinhos às 4h da manhã no meio da escuridão, parece que tinha acabado o combustivel... Passado uma hora lá voltaram, e finalmente conseguimos chegar a Dushanbe, 21horas depois de sairmos de Korugh.
Carregando o jipe
O vidro da frente completamente rachado, e pode se ver a estrada por onde seguíamos em muito mau estado
O "pequeno" rasgo do nosso pneu.
O pendura desvia os cabos deste poste caído à beira da estrada
O primeiro furo
O segundo furo
O arranjo do macaco
A remoção do travão da frente
A meter combustível
A jantar com a tripulação, salsichas e ovos estrelados por 1€ !!!
Viagem dentro do jipe...
...foram mais de 20horas para percorrer 900kms!!!

11.6.10

Cheirinho a Afeganistão

Apesar de nunca termos pisado solo Afegão, percorremos cerca de 300kms, junto ao rio que faz fronteira... Vimos caminhos de cabras e aldeias isoladas do resto do mundo. Apenas vimos duas pontes entre o Afeganistão e o Tajiquistão, junto a elas existiam mercados onde podemos ver de perto algumas burcas, dinheiro afegão e alguns produtos de lá...
Caminho de cabras
Venda de especiarias
Mercado
Ponte que atravessa a fronteira para o Afeganistão

10.6.10

A última avaria

O desviador traseiro da gama mais baixa da Shimano(Tourney), andava a avisarme que não queria subir muito mais e ainda menos atravessar rios. Tentei explicar-lhe que queria chegar à China e nunca pensei que depois de 12300kms a apenas 700kms ele se desintegrasse em dois.
Abri a corrente, desmontei o desviador e voltei a fechar, tornando a bicicleta numa "single speed". Depois da Turquia, voltava a ficar com apenas uma mudança. O pior é que agora não existe quase nenhum material de bicicletas, as estradas são péssimas, e espera-nos a maior subida de toda a viagem, uma subida até aos 3252m de altitude.
Depois da subida e quase a chegar a Korugh, vejo a bicicleta de um pescador com desviador!!! Ao verificar que ele não usava mudanças, pedi-lhe que me vendesse o desviador, e adaptei-o para a minha bicicleta.
O desviador completamente destruído sem reparação possível.
O pescador que me vendeu o seu desviador por 1euro

O meu desviador semi-novo Xunchi...

9.6.10

Estradas deterioradas

Aqui fica um cheirinho da "qualidade" das estradas no Tajiquistão

Ponte suspensa nestes cabos

Isto, é uma estrada!
Nem os tanques sobrevivem ao estado da estrada...
Remendo numa ponte


Este camião não conseguia trepar a estrada em lama, e nós tivemos de desmontar da bicicleta e alancar à pata...

Estrada "fixa" com estacas
Camião capotado no meio do rio!!!

8.6.10

A toilette

Quando chega a hora de irmos à casa de banho, percebemos que entrámos na Ásia.
Uma Ásia profunda, longe dos hoteis e dos roteiros turísticos.
Sem adornos dourados nas sanitas, nem espelhos ou lavatórios, e muito menos portas com trinco a dizer ocupado.
Aqui a verdade é um pouco mais crua.
A sanita é substituída por um buraco no chão, e as fezes seguem a céu aberto estrumando os terrenos circundantes.


7.6.10

Sesta abençoada

Depois de não encontrarmos pão na única mercearia da aldeia, logo alguém nos convidou para entrarmos e almoçarmos. Foi mesmo na hora H, pois caiu uma grande carga de água, e assim aproveitamos para dormir uma sesta e ouvir um pouco de música tradicional...


O nosso anfitrião a tocar para nós

6.6.10

Gentes do Tajiquistão

A lavrar a terra
Bomba de gasolina
A lavar os tapetes no meio da estrada
Está carregado que nem um burro...
Equilibrista de circo, para conseguir mais alguns frutos
Perseguição

Brincando aos autocarros com o depósito da água
A felicidade estampada no rosto ao receber a minha tenda e esteira, que não podia trazer no avião

4.6.10

Momentos Uzbequistão

Tiago a trocar dinheiro na fronteira... Ilegal? Aqui não existe nada ilegal!
Como as maiores notas existentes no Uzbequistão correspondem a 0,50$ e aqui na fronteira apenas tinham notas equivalentes a 0,25$, a modesta quantia de 50$ correspondem a 200notas!!! Agora imaginem contar 200notas para ver se nos tinham dado o dinheiro correcto!
Fila interminável de camiões à espera para poder entrar no Turcomenistão.
Há sempre lugar para mais um, observem o pneu traseiro...

Acordado com os sinos do rebanho.

Cada vez é mais difícil de encontrar comida, pois nas lojas apenas encontramos bolachas e sumos! Apenas nestes mercados(bazar) encontramos alguma coisa fresca.
Travões?! Mudanças?! O importante é ter o selim confortável ;)
Higiene diária

Talho local




Sempre que paramos, somos rodeados de curiosos, tentando perceber de onde vamos e para onde vamos. No Uzbequistão, fora de Bucara não encontramos ninguém que falasse inglês!!! Para estas bandas o russo é a lingua predominante.